• ,Deus Ateu

,Sobre a tirinha de Edu Oliveira

Atualizado: Out 29

Por Marcio Tito.


Criar não é tarefa do artista. Sua tarefa é mudar o valor das coisas. - Yoko Ono.


de Edu Oliveira


Abaixo oferecemos ao leitor uma possibilidade de exercício simbólico:


• O universo do sujeito comum é pálido, bicolor, aonde o dono da realidade, o militar que se ocupa de narrar o mundo, tem cores frias, mas, ainda assim, tem cores.


• Esse homem que veste meio terno, é branco, e parece representar a classe média (que guarda na cama esse acinte, e, ao mesmo tempo, é o último setor a perceber que a serpente do autoritarismo já lhe rouba espaço no colchão).


• Há dois abajures, que não mais iluminam a realidade do homem, e estão apagados, ao lado do militar colorido e vivo, que é o ponto de luz e dono da realidade também.


• O militar chegou, presumimos, sem fazer alarde, silencioso.


• O homem tira os sapatos, num claro símbolo de fragilidade, como no cinema, aqui os pés descalços revelam a fragilidade e o sujeito desprotegido.


• O militar está meio encoberto, meio encoberto pelo lençol da classe média obtusa, mas, ainda se disfarça, e chegou por trás do homem, à noite, e usa óculos (como quem esconde a face).


• O homem usa óculos de grau, não enxerga bem.


• O homem avisa a esposa, ou o seu marido, que possivelmente já sabe do ocorrido, posto que foi superada ou superado pela ditadura antes mesmo do macho adulto, branco e trabalhador reparar a presença desse valor que se impôs primeiro a quem se deita mais cedo.


• O militar está com as mãos unidas. Espera que o homem se vire e o note...


Imagem cedida pelo autor


Ao leitor, obrigado por ler o nosso ensaio.


Perfil do artista: https://www.facebook.com/edu.oliveira.3745


Se criar não é tarefa do artista, e se a tarefa do artista é mudar o valor das coisas, deixamos aqui o convite para que você participe desse texto interativo. Como funciona? Você poderá enviar a sua análise para a nossa página @deus.ateu. Atualizaremos constantemente enquanto recebermos comentários e observações sobre o texto.


Abaixo observações de nossos leitores:


Aquele que traja vestes militares, na cama, não é um militar. É alguém vestido de militar, percebe? Essa fantasia é o amor desse senhor que calça seus sapatos e segue sua vida honrada de cidadão de bem. Ele, o cidadão de bem que calça os sapatos, está preocupado uma vez que aquela fantasia de militar (que está em sua cama!) pode ser trocada a qualquer momento por um militar de verdade. E aí, como fica? Porque o tesão do cidadão de bem é a veste de militar, sabe? Lhe interessa é a veste! — Alguém que se veste de militar? O cidadão de bem gosta. (...) — Alguém que se veste de presidente militar? O cidadão de bem gosta. (...) Mas militar de verdade ele não quer, não. Ele nem sabe como lidar com tudo isso.


Wander B., 15 de julho de 2020.



Estamos em movimento. Inscreva-se hoje!

  • Grey Facebook Ícone
  • Grey Instagram Icon
  • Grey Twitter Icon
  • Grey Facebook Ícone
  • Grey Instagram Icon
  • Grey Twitter Icon