• ,Deus Ateu

,A mulher no terror e como começar fazendo!

Por Yara Oliveira.


O cinema de terror é famoso por se apoiar em estereótipos e isso, por incrível que pareça, é algo que o faz um gênero imortal.

Estamos tão acostumados a alguns desses modelos que às vezes nem notamos problemas que deveriam ser discutidos e evoluídos dentro do gênero.

A mulher é uma pauta importante, temos diversos gêneros de personagens estereotipadas e usadas cansativamente que posso listar para você:

A Mãe heroína

A mulher histérica

A mulher maleficamente religiosa

A mãe relapsa

A mulher inteligente demais


E a lista pode seguir, mas uma coisa que se tem em comum é que as mulheres do horror não seguem os padrões que a sociedade considera aceitável, e é por isso que ela, sua família ou amigos, serão castigados.


Existem filmes que brincam com esses estereótipos, escancarando isso, como é o caso de “Midsomar”, filme de Ari Aster. Um folk horror que conta a história de uma moça de passado trágico e seus amigos abusivos e relapsos que acabam em uma seita na Suécia. Em Midsomar, a protagonista tem síndrome do pânico e baixa autoestima, o que cai na personagem da “mulher histérica”, porém a evolução da heroína é individual e seu final é uma tremenda reviravolta no gênero.

Still do filme Midsommar, Ari Aster 2019


Alguns estereótipos se disfarçam de algo empoderador, como é o caso da “mãe heroína”. Essa mulher que defende a família a todo custo de tudo que a assombra e precisa de um grande trauma para então ir à luta. Esse trauma vai desde abusos na infância, até agressões conjugais. O que antes parecia uma mulher forte, agora se torna uma heroína movida por traumas que especificamente são ligados a mulheres (estupro, abusos etc.).

Still de Quarto do Pânico, David Fincher 2002


A mulher religiosa é um caso interessante, porque ela é cristã, pura e segue os padrões sociais comuns. Mas em certo momento ela leva tudo ao extremo e vira o monstro, é o caso do game e filme de “Silent Hill”. Isso mostra como uma mulher não pode ocupar o lugar do homem dentro da religião, afinal um padre não se deixaria enlouquecer dessa forma.

Silent Hill, 2006 - Foto: Divulgação


Nem mesmo a mulher inteligente fica fora do falso empoderamento. Esse é mais um estereótipo que engana geralmente mulheres consideradas “feias” pelos protagonistas e só são mantidas perto por conta do seu conhecimento do monstro que os ataca - é basicamente a Velma de Scooby-Doo.

Still do filme Ouija, 2016


Qual o problema desses estereótipos no cinema contemporâneo?


Mesmo em pleno 2020 as mulheres do cinema de terror não se livraram das amarras narrativas dos anos 1960. Até os monstros evoluem, os fantasmas tomam formas físicas, os vampiros andam no sol e os lobisomens não precisam de lua cheia para se transformar, enquanto a mulher ainda precisa de um grande trauma para lutar contra eles.


Diversos gêneros já revolucionaram o papel da mulher e deixaram o terror para trás, até mesmo os filmes de herói estão moldando novas personagens femininas de maneira menos machista.


O horror sempre foi um gênero crítico, costumo dizer que “se você quer conhecer uma sociedade, entenda do que ela tem medo”. E ver o horror estagnado dessa forma me faz pensar que essa sociedade tem medo de mulheres com direitos, que se veem além de traumas e do próprio corpo. Será que a sociedade tem medo… da mulher?


Quando se trabalha num set de horror você percebe que o machismo se estende a essas produções: mulheres são geralmente associadas à arte ou figurino. No cinema de horror a maquiagem e feitos costumam ser feitas apenas por homens, diferentemente dos outros gêneros de filmes.


Se você entra na equipe dizendo fazer cinegrafia, fotografia, captação de som etc. o seu tratamento vai ser extremo e cada erro comum no set vira algo que pode comprometer sua carreira.


Caso você, mulher, esteja começando a trabalhar no gênero, a melhor forma é criar um bom portfólio.


Sou Yara Oliveira, uma mulher que trabalha com audiovisual há anos, tenho no currículo diversas publicidades, editoria chefe de uma revista e um documentário na Amazon. Hoje sou diretora de arte em design, filmmaker e fotógrafa.


Uma das minhas maiores paixões é o cinema de horror. Algo que sempre pensei que fosse impossível de fazer. E foi na experiência mais louca da minha vida, o Reality Show Cinelab Aprendiz que aprendi que é sim possível produzir terror no Brasil e gastando pouco, ou nada.


Um curta de terror exige uma equipe e alguns equipamentos mais difíceis de se conseguir, por isso resolvi que faria cenas de horror para fotografar. Essa foi a escolha mais acertada que tive e agora vou dividir alguns segredos para conseguir montar cenas assustadoras com o que se tem em casa, ou investindo muito pouco.

Foto por: Yara Oliveira


1 - Aprenda a fazer sangue falso

Todo produtor de horror tem sua receitinha secreta de sangue falso, mas no geral usamos glucose e corantes alimentícios vermelho e preto. Não se preocupe com o realismo, pouca gente já teve um contato com uma cena sanguinolentas, a referência é o que se vê no cinema.


2 - O que você tem no armário?

Para pensar em uma cena, primeiro dê uma volta e veja o que tem em casa. Roupas que podem sujar? Facas para um assassinato? Um vestido velho meio assustador? Cordas?

Bom, junte todos esses objetos e a partir daí comece a pensar nas cenas.


3 - Use o Pinterest

A primeira ideia é sempre para uma ou duas fotos, mas um ensaio precisa de mais do que isso. É aí que entra a busca por referências. Crie um painel do Pinterest e vai juntando as imagens que te chamam a atenção- a combinação delas vai render o seu estilo de terror. A inspiração pode vir de qualquer lugar! Filmes, séries, desenhos animados... Fique sempre atento aos produtos que você consome.

Foto por: Yara Oliveira


4 - Copie como um artista

Sim, plágio é crime, mas copiar como um artista é algo a se praticar. Escolha uma cena, pode ser de filme, uma fotografia, o que quiser, agora reproduza ela com o que você tem. Adapte tudo ao seu estilo, objeto, orçamento, modelo e todas as coisas que são variáveis. Essa é a melhor maneira de criar sua primeira cena.


5 - FOTOGRAFE!

Não fique enrolando na pesquisa, investindo um tempo absurdo para ter uma cena perfeita. Tenha a ideia, junte o material, chame o seu modelo, vá para um cenário e FOTOGRAFE. Neste momento não se preocupe com erros e críticas, seu primeiro ensaio servirá para abrir um mundo novo, onde você percebe que é possível sim produzir horror.


6 - Não espere retorno

Esse conselho parece até pessimista, mas fazer algo novo pensando em um grande retorno de público não é saudável. A possibilidade de viralizar nem sempre é alta. Conte com esse material para o seu portfólio e, especialmente, para seu desenvolvimento.

Foto por: Yara Oliveira


Use essas dicas para abrir seu caminho nesse meio tão estreito para nós mulheres!


Logo abaixo estão alguns dos meus materiais feitos a praticamente custo ZERO para provar que estou te contando a verdade!


Curtiu? Faça seu ensaio e mostre para mim!


Curta Metragem CASEIRO:

https://vimeo.com/manage/388508714/general


https://www.facebook.com/watch/?v=2615724271990546


Agradecemos por ler o nosso ensaio.



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