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,As coexistências políticas e tecnológicas em Brasil Zero-Zero

Por Guilherme Paes.


Texto originalmente publicado no 18º International Meeting of Art and Technology realizado a partir de 17 a 19 de Outubro de 2019, na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa.


O texto possui a co-autoria da Prof. Dra. Mirtes Oliveira e Prof. Dra. Agda Carvalho.


O presente artigo tem como objetivo analisar o projeto gráfico denominado Brasil Zero-Zero (2019) que foi realizado pelo designer gráfico brasileiro Gustavo Piqueira. Este projeto é um regaste da memória gráfica e visual da política brasileira, na qual o designer realizou um levantamento visual sobre diversas manifestações perceptíveis que variam entre os anos de 1982 e 85 em São Paulo, e 2018 no âmbito nacional. A abordagem deste projeto explana sobre a tratativa da memória gráfica para com os objetos visuais, tanto em sua materialidade quanto suas composições visuais e funções. Sendo assim, sobre estas produções a partir da própria experiência do autor, expôs novas perspectivas e potências para as relações narrativas e imagéticas de objetos efêmeros.


INTRODUÇÃO


As formas dos artefatos não possuem um significado fixo, mas antes são expressivas de um processo de significação – ou seja, a troca entre aquilo que está embutido em sua materialidade e aquilo que pode ser depreendido delas por nossa experiência. (CARDOSO, 2016. pp.35-36)


As composições visuais e as narrativas podem se configurar de diversas formas, tamanhos, elaborações e funções. Dentro da enorme variedade de possibilidades de se compor uma produção visual o aspecto físico e de linguagem destas composições tem papel fundamental para os significados que elas podem gerar. A materialidade do objeto que transporta os valores visuais, caracteriza-o como um objeto palpável, manipulável e real. Estas tangibilidades, transformações e coexistências serão discutidas quanto aos seus limites, funções e possíveis elaborações.


Brasil Zero-Zero (2019) do designer gráfico brasileiro Gustavo Piqueira é uma investida no sentido de um regaste da memória gráfica e visual da política brasileira, tanto de um passado (da década de 1980) recente quanto de um contemporâneo próximo. O projeto proposto pelo designer, do resgaste de materiais gráficos, surge a partir de uma coleção de panfletos recolhidos pelo próprio autor, além de santinhos e broches recolhidos ao longo das eleições de 1982 para prefeito e de 1985 para governador de São Paulo. A narrativa do livro explora o uso da imagem desvinculada de texto ou legendas e apresenta uma organização temporal que vai desde 1982 (nas eleições regionais) até 2018 nas eleições nacionais. Na narrativa geral do livro se misturam, materiais gráficos, ensaios fotográficos, imagens de conversas de grupos de Whatsapp e prints de eventos no Facebook.


O livro, (fig.1 e 2) possui 120 páginas em uma dimensão de 30x20 cm, é composto por um exemplar impresso em três tipos de papeis com diferentes gramaturas que variam entre 56 impressas em couché fosco 180 g/m2, 40 em offset 120 g/m2e 24 em offset 56 g/m2 que se modificam ao longo do livro, um cartaz de 60x90 cm de uma bandeira do Brasil inacabada a partir de um registro fotográfico feito pelo autor, um envelope plástico que embala os dois objetos e uma etiqueta acoplada ao envelope que carrega informações gerais do livro.

Fig. 1 - Exemplo de páginas do livro.

Fig. 2 - Exemplo de páginas do livro.


O trabalho de Gustavo Piqueira à frente do escritório Casa Rex[1], que se situa em São Paulo e na qual ele é fundador. O designer apresenta uma linguagem visual variada, presente em mais de seus 460 projetos premiados internacionalmente, mostrando o quão diversificado pode ser o raio de atuação do designer e o quanto a produção pode se tornar múltipla.

Em mais de vinte livros publicados pode-se observar uma mistura de design, história, arte, literatura, uma discussão sobre os limites do livro impresso e um olhar para o cotidiano a fim de encontrar possibilidades narrativas tanto textuais quanto visuais, que testam as fronteiras da linguagem. A exploração da materialidade marca presença em seus projetos levantando novas possibilidades para o livro impresso, utilizando-se da combinação de materiais diversos, composições visuais múltiplas e textos que são uma extensão da visualidade de seus livros.


Como suporte teórico para abordar um projeto complexo que agrupa diferentes campos de conhecimento do design gráfico foram alinhadas perspectivas que apontam para compreensão do objeto de design enquanto cultura, produção e linguagem. Sendo CARDOSO (1998/2016), ONO (2004), FARIAS & BRAGA et al. (2018) e QUELUZ et al. (2012) utilizados para o debate acerca da cultura material e memória gráfica e para a linguagem e linguagem visual foram utilizadas as assertivas de HALL (2016), LUPTON (2008) e RANCIERE (2012).

[1] Rex Design (1997) e a partir de 2010 como Casa Rex.


AS COEXISTÊNCIAS


BURDEK (2006, p.230) já nos ensinou que o design é uma disciplina que produz realidades materiais e comunicativas: os objetos nos contam sua história, contam como foram feitos, que tecnologia foi utilizada, de que contexto cultural foram constituídos. Poderíamos ir mais além, afirmando que os objetos nos contam histórias das pessoas que projetaram, fabricaram, consumiram, usaram, colecionaram, representaram, descartaram estas coisas. (QUELUZ et al., 2012. p.8).

Brasil Zero-Zero (2019) atua de forma a compor suas narrativas a partir de inúmeros materiais, sejam eles gráficos ou digitais, de uma temporalidade atual ou de um passado recente. Diversos objetos visuais foram recolhidos por Piqueria para compor a narrativa do livro, que se apoia em quase sua totalidade em imagens, no qual o uso da linguagem verbal é sucinto e direto tanto em aberturas de capítulos quanto em um pequeno capitulo explicativo do livro e um posfácio de rápidas argumentações sobre suas escolhas e referencias.


Compor um livro na qual linguagem principal não é a escrita, mas sim a visual reforça a importância que os artefatos visuais têm para construir a imagem de seu tempo. A partir da prática dos estudos em memória gráfica que visam o recolhimento, organização e analise de objetos bi ou tridimensionais que possuam algum valor histórico, social e narrativo é possível construir relações, investigações e percepções de um determinado tempo. Como reforça Priscila Farias e Marcos Costa Braga em definição sobre a memória gráfica: (...) busca compreender a importância e o valor de artefatos visuais, em particular impressos efêmeros, na criação de um sentido de identidade local. (FARIAS & BRAGA et al., 2018. p,10).


O agrupamento de materiais visuais que compõem uma cultura material[2] é usado como elemento narrativo que possibilita criar uma cena a partir de inúmeras imagens. Os valores estéticos e de linguagem presentes nos materiais visuais efêmeros (panfletos, santinhos, cartazes...) possibilitam uma perspectiva das produções visuais de uma época. Estudar este material torna possível o resgaste particular e distinto de um momento histórico de uma população ou grupo social.


Ao deixar marcas e rastros – reais ou metafóricos – a cultura material significa, testemunha e materializa a construção de histórias, identidades, lugares, épocas e formas de viver. As marcas, ilustres ou anônimos, deixam sinais na de culturas, revelam modos de relacionamento entre sujeitos, destes com as coisas e com a vida em sociedade. (QUELUZ et al., 2012. p,16)

[2] (...) “cultura” ou “cultura material” como o conjunto de artefatos produzidos e utilizados pelas culturas humanas ao longo do tempo, sendo que, para cada sociedade, os objetos assumem significados particulares, refletindo seus valores e referências culturais. (ONO. 2004. p.54).


O potencial imagético dessas produções resgatadas por Piqueira, que formam um conteúdo para analise, na qual proporcionam uma aproximação com a visualidade de uma sociedade. Essas produções, mesmo as mais efêmeras, são construções e reflexos das visões de mundo de uma sociedade daquele período especifico. “Os objetos são mediadores de nossas relações com o mundo e com os outros. São portadores e veículos de significados culturais, contribuindo na contribuindo na construção de nosso imaginário individual e social. ” (QUELUZ et al., 2012. p,37).


Enquanto memória estes objetos mesmo que de períodos, ideias e aplicações diferentes, coexistem na formação histórica de uma população, como proposto pelo autor através de sua narrativa e recorte singulares. Ao posicionar estes elementos que variam de propagandas politicas como panfletos e cartazes até mensagens de Whatsapp e eventos de Facebook, lado a lado geram uma visão ampliada das diferentes maneiras de se expressar, produzir e compreender os fatores sociais e políticos.


O livro expõe, a partir das imagens uma experiência vivida pelo autor, um olhar singular para os diversos momentos nos quais a narrativa se desenvolve. Esta obra não é, em termos diretos, uma resposta a uma série de eventos políticos e sociais que o Brasil vem atravessando ultimamente, mas sim um retrato da visualidade e das produções da vida contemporânea e do passado recente do Brasil.


O retrato das multiplicidades e transformações da visualidade no campo da propaganda política no Brasil, é exposto por Piqueira apresentando princípios que não estão alinhados com outras perspectivas legítimas sobre as narrativas históricas sobre o País. Também não trata, de uma abordagem sobre as diferentes transformações tecnológicas presentes nas propagandas políticas e não apresenta uma pesquisa da memória gráfica convencional de artefatos visuais, por não apresentara partir das analises, morfológicas. Mas explora, como direção principal a visualidade das produções.


A própria escolha de expor momentos com quase 30 anos de diferença e cruza-los de forma a causar um entrelaçamento próprio expõe uma abordagem no que se diz a respeito a inquietação sobre a temporalidade de seus materiais, (...) “uma cultura material que seria parte de seu passado e de suas raízes culturais, ou parte de uma identidade, que, por sua vez, está em constante processo de configuração”. (FARIAS & BRAGA et al., 2018. p,18). Possibilitando uma abertura a se dialogar, combinar e recombinar de forma mais abrangente os mais diferentes meios, alinhando tanto materiais diversos quanto temporalidades distintas entre si.


BRASIL ZERO-ZERO

Não haveria, sob o mesmo nome da imagem, diversas funções cujo ajuste problemático constitui precisamente o trabalho da arte? A partir daí, talvez seja possível, em base mais sólida, refletir sobre o que são as imagens da arte e as transformações contemporâneas do lugar que elas ocupam. (RANCIERE, 2012. p.9).


Brasil Zero-Zero (2019) de Gustavo Piqueira se apresenta como um compilado de materiais que partem de um retrato singular da ótica e vivencia do autor, na qual inúmeros materiais gráficos das eleições de 1982 e 1985 para os governos de São Paulo (capital), que vão desde santinhos, botons, cartazes, panfletos, jornais e entre outros... se agrupam no códice do livro mesmo que de forma temporalmente distinta a uma série de manifestações visuais, textuais e politicas das redes sociais no período eleitoral brasileiro de 2018 para presidência. O percurso proposto por Piqueira entrelaça também três ensaios fotográficos que se cruzam para discutir as percepções no cotidiano no período eleitoral do país.


O próprio nome do projeto é um cruzamento entre duas produções de meios diferentes, o filme Alemanha Ano Zero (1948) de Roberto Rossellini (1906-1977), um filme do cinema neorrealista italiano que retrata a cidade de Berlim em seu primeiro ano pós Segunda Guerra, que se encontra devastada. O segundo elemento é a produção gráfica do artista e designer brasileiro chamado Wladimir Dias-Pino (1927-2018) que projetou um livro experimental, realizado em 1966 chamado Brasil Meia-Meia, que apresentava colagens que retratavam o Brasil em seu período ditatorial.


A estrutura gráfica (fig.3) proposta pelo designer possui algumas particularidades e escolhas visuais distintas. O livro é embalado por um envelope plástico ao qual está anexado uma etiqueta que carrega as informações como; o nome do livro, nome do autor e um rápido panorama sobre seus conteúdos. Sua capa não possui informações a não ser uma fotografia feita pelo próprio autor em um de seus percursos na Cidade Estrutural em Brasília-DF. De forma secundaria a armação do códice se desdobra a partir da capa para se forma o título do livro (Brasil Zero-Zero), todo o códice que envolve o livro se estende em um cartaz horizontal. Em anexo ao livro há um cartaz uma bandeira do Brasil inacabada, o registro feito pelo autor se converteu em um anexo que é a própria extensão de sua obra por ser abordada como uma das peças no livro, mas também por ser um cartaz que extrapola os limites do códice.

Fig.3 – Visão geral da capa, anexo e códice do livro.


A narrativa gráfica tem início em 1982, e corresponde ao procedimento do mesmo período realizado pelo designer. Em 1982, recolhia diversos materiais gráficos que eram distribuídos como forma de propaganda política. Esse habito fez com que certa memória gráfica relativa aos processos eleitorais fosse preservada e a narrativa ofertada no livro só seria possível por meio deste cuidado. Com isso o trabalho tem a marca da própria memória vivida por Piqueira.


Os objetos escolhidos (fig.4 e 5) são apresentados como composições visuais que retratam elementos históricos daquela época. A visualidade que observa é da variedade de imagens e soluções em termos de linguagem visual para os mais diversos meios e aplicações da propaganda política. Desde o uso da própria fotografia do candidato e seu nome, até a presença de slogans e uso de signos visuais, como exemplo o trevo da sorte e corações, para potencializar aquele objeto recolhido como um atrativo para o eleitor.

Fig.4 – Exemplos de materiais gráficos diversos de 1982 e 1985 (pág. 8 e 9)


Fig.5 – Exemplos de cartazes de 1982 e 1985 (pág. 18 e 19)


A diversidade das produções coletadas por Piqueira é característica do trabalho, por ser um conjunto de produções gráficas que disputam território em a outras elaborações. Assim, os atrativos visuais para que o eleitor seja convencido de que aquele candidato é o mais adequado para o cargo são inúmeras. Elas se apresentam desde folders ilustrados (fig.6), panfletos com objetos em anexo que fazem alusão aos slogans de seus candidatos, como o caso da peteca anexada em um panfleto com o slogan: “não deixe a peteca cair” (fig.6). Mini jornais (fig.7) com uma história em quadrinhos sobre o candidato que através da linguagem dos quadrinhos ele enfrenta os problemas da gestão pública.

Fig.6 – Exemplos de panfletos de 1982 e 1985 (pág. 36 e 37)

Fig.7 – Exemplos de mini jornal de quadrinhos 1982 e 1985 (pág. 38 e 39)


Partindo do princípio de uma coexistência dos meios e produções a partir de uma preservação de uma memória gráfica da política brasileira, o designer realizou uma intervenção gráfica/visual (fig. 8 e 9) na cidade de São Paulo próximo a pontos com grande movimento de pessoas como metros em plena campanha eleitoral do primeiro turno de 2018. Com o intuito de gerar uma confusão visual aos espectadores que transitavam por aqueles lugares visando demonstrar que em aproximadamente 30 anos de cenários políticos os mesmos integrantes e muitos dos slogans e pensamentos ainda se mantiveram. Este cruzamento temporal e imagético se deu a partir de uma série de cartazes que foram colados em diversos pontos, onde os materiais usados em 1982 e 1985 foram reutilizados agora sem seus números ou datas especificas, Piqueira fez ressurgir essas personalidades em um entrelace temporal caótico.

Fig.8 – Ensaio fotográfico da intervenção urbana no resgate e cruzamento dos materiais de 1982 e 1985 (pág. 58 e 59).

Fig.9 – Ensaio fotográfico da intervenção urbana no resgate e cruzamento dos materiais de 1982 e 1985 (pág. 62 e 63).


Para retratar um pequeno panorama de uma movimentação visual e política, o autor, por meio das redes sociais e a internet, agrupou uma serie expressões dos brasileiros em meio as eleições de 2018. Um momento que se tornou característico neste período foi o uso da ferramenta de eventos rápida movimentação dos usuários trouxe uma variedade de eventos contra o candidato Jair Bolsonaro (PSL – Partido Social Liberal) se multiplicou como forma de protesto e humor para com o candidato líder das pesquisas de intenção de voto. Eventos esses como: “Gatos contra Bolsonaro”, “Bonecos de posto contra Bolsonaro”, “Darth Vader contra Bolsonaro” e entre outros, se proliferam nas redes mesmo de forma fictícia um movimento rápido da população que possui acesso a rede social que a partindo de um meio visual e neste caso virtual proferiram suas opiniões, chacotas e protestos contra o candidato.


Os atos de protesto ao candidato também tiveram contraponto por parte daqueles que o apoiavam; em uma busca em meio aqueles que o apoiavam, Piqueira recolheu dois tipos de manifestações de apoio ao candidato Bolsonaro, em um momento por meio de um jogo online (fig. 10) onde o candidato derrota adversários de cunho ideológico de esquerda contrário ao viés ideológico do candidato, que se apresentavam no jogo como manifestantes, outros candidatos e pessoas públicas que o criticam. Outra manifestação foi por meio de grupos de Whatsapp (fig. 11) no qual foi feito o recolhimento de diversas conversas (todas foram apresentadas no livro de forma anônimas) de antigos amigos de escola que atualmente apoiavam o candidato, dentre essas inúmeras conversas de texto e imagens, muitas delas se caracterizaram pela emissão de fake news dos adversários de Jair Bolsonaro.

Fig.10 – Exemplos de eventos do Facebook (pág. 80 e 81)

Fig.11 – Recortes de tela do jogo online e das conversas de Whastapp (pág. 84 e 85)


Em um outro momento na narrativa de Brasil Zero-Zero é se apresentado mesmo que de forma breve um ensaio fotográfico (fig. 12 e 13) feito pelo próprio Gustavo Piqueira na parte externa do congresso nacional em Brasília-DF, um cenário apático e abatido daquele que seria o centro do poder do próximo governo. Com o uso de fotografias de tom frio, supressão do fator humano e em enormes molduras que os cercam, esse ensaio exibe todo o esvair do poder político brasileiro.

Fig.12 – Ensaio fotográfico do congresso nacional (pág. 98 e 99)

Fig.13 – Ensaio fotográfico do congresso nacional (pág. 100 e 101)


No encerramento da narrativa, um último ensaio fotográfico foi realizado por Piqueira, só que agora na Cidade Estrutural, um dos bairros pobres de Brasília-DF, como forma contraponto estético do Congresso Nacional, a periferia é apresentada com outros tipos de composições visuais. Em meio a vista da destruição e da precariedade destes lugares ainda é possível se perceber manifestações de seus moradores, o registro feito mostra composições que indicam a periferia, em muros deteriorados (fig.14) e um boneco de loja de roupas em cima de um ponto de ônibus (fig.15).


Fig.14 – Ensaio fotográfico na periferia de Brasília-DF (pág. 106 e 107)

Fig.15 – Ensaio fotográfico na periferia de Brasília-DF (pág. 114 e 115)


CONSIDERAÇÕES FINAIS


A investigação feita no artigo constituiu-se na exploração dos objetos gráficos levantados em Brasil Zero-Zero (2019) através da identificação de seus componentes, materiais, linguagem visual e meios de atuação. O levantamento desses dados permitiu a melhor compreensão dos fatos e das abordagens feitas pelo designer, alinhado ao levantamento desses objetos no livro, em uma abordagem que exibe as mudanças no cenário da propaganda política no Brasil, as múltiplas funções e significados que os objetos possuem em suas relações temporais apresenta o olhar do autor sobre as manifestações visuais contemporâneas.


Este projeto é um prisma para as novas abordagens que o design gráfico contemporâneo pode apresentar, expondo a versatilidade que os códigos visuais, materiais e conceituais possuem. Contemplando uma cultura em que estes não estão desconectados, mas que podem ser integrantes de um mesmo universo. As combinações propostas por Piqueira demonstram toda a potencialidade narrativa que o livro impresso ainda pode ter, explorando as diversas camadas de significados, desdobrando sua materialidade e reestruturando toda uma percepção sobre os objetos do dia-dia, onde está perspectiva de atuação nos revela todo o alcance do desenvolvimento conceitual que o design pode apresentar em um projeto.

REFERÊNCIAS

CARDOSO. Rafael. Design para um mundo complexo. Ubu. São Paulo. 2016.

CARDOSO. Rafael. Design, cultura material e o fetichismo dos objetos. Revista Arcos. Volume 1 Rio de Janeiro. 1998.

FARIAS. P. II., & BRAGA. M. C. (Org.). n/a et/al. 2018. Dez ensaios sobre memória gráfica. Editora Blucher. São Paulo.

HALL, Stuart. Cultura e Representação. Editora PUC-RIO. Rio de Janeiro. 2016.

LUPTON, Ellen e PHILLIPS, Jennifer Cole. Novos fundamentos do design. São Paulo: Cosac Naify, 2008.

ONO MISUKO, Maristela. Design, Cultura e Identidade, no contexto da globalização. Revista Design em Foco, vol. I, núm. 1, Julho-Dezembro, 2004, pp.53-66.

PIQUEIRA, Gustavo. Brasil Zero-Zero. Lote 42. São Paulo, 2019.

QUELUZ, M. L. P. (Org.). n/a et al. (2012). Design e cultura material. Ed. UTFPR. Curitiba.

RANCIERE, Jacques. O destino das imagens. Contraponto. Rio de Janeiro, 2012.



Ao leitor, obrigado por ler o nosso artigo.




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